O que bloqueia o movimento?

Estava lendo um capítulo de um livro sobre Terapia Focada na Compaixão quando me deparei com várias ideias que me chamaram atenção. Algumas delas me fizeram pensar na clínica, outras me levaram a refletir sobre situações da minha própria vida. Mas, entre todos os conceitos apresentados, houve uma frase que ficou ressoando dentro de mim por mais tempo do que eu esperava, como se tivesse encontrado um lugar para morar, insistindo para ser revisitada. Onde estão suas armadilhas de vida...

Quando uma habilidade surpreende

Sabe, eu tenho uma dificuldade que às vezes me causa vergonha: esqueço de comprar o presente com antecedência para ir a um aniversário. Eu sei, parece bobo, mas já aconteceu tantas vezes que a minha mente vive me chamando de “desligada” (para não dizer outras coisas). E não é só a minha mente que me critica: minha mãe também acha vergonhoso eu me esquecer do presente. Não é que eu esqueça do aniversário. O evento está lá na agenda, direitinho....

Encerrar ciclos com amor: um olhar a partir da Terapia de Aceitação e Compromisso

  Essa última semana vivenciei de perto muitos encerramentos de ciclos e o que mais notei foi a grande presença do amor. Tivemos uma despedida amorosa de um colega da equipe e acompanhei amigas queridas se despedindo de pessoas amadas: pai, ex-terapeuta e irmã. Estar tão próxima dessa dor me fez relembrar das minhas despedidas e da imensidão do amor e da dor que estavam ali presentes. Encerrar dói. Dói porque houve significado. Carrego comigo essa frase desde sempre: “O...

Sobre qualidade da presença

Qualidade de presença tem a ver com se sentir escutado(a) mesmo sem falar nada. Ser “lido” nas entrelinhas ou nas microexpressões faciais. Ser “sabido” pelo outro. Experimentar a presença presente de alguém pode parecer redundante. É uma expressão que eu uso em diversos contextos, seja com alunos em sala de aula, seja com amigos em encontros casuais, seja em família, quando estamos com muitas pessoas. Por vezes, quando estamos entre muitos podemos “borboletear” e pousar em diferentes lugares, voando alto,...

QUANDO A DECEPÇÃO GERA A SENSAÇÃO DE TRAIÇÃO: UM OLHAR DA IBCT

Nas relações amorosas, a vulnerabilidade de nos conectarmos profundamente com o outro envolve uma expectativa de cuidado, validação e segurança. Ao abrirmos espaço para o vínculo, confiamos que a parceria não nos causará dor intencionalmente. Quando essa expectativa é violada, o impacto emocional pode ser vivido como uma verdadeira traição. A decepção como ruptura de expectativa Na perspectiva da Terapia Comportamental Integrativa de Casal (IBCT), decepções não são apenas “falhas individuais”, mas eventos que ocorrem dentro de um contexto relacional....

Setembro Amarelo, DBT e o Papel dos Familiares: Cuidar de quem cuida também salva vidas.

O Setembro Amarelo nos convida a falar sobre a dor emocional, o sofrimento psíquico e a importância de prevenir o suicídio com mais empatia, informação e ação. Nesse cenário, a Terapia Comportamental Dialética (DBT) se destaca como uma abordagem baseada em evidências que oferece suporte não apenas às pessoas que sofrem, mas também às suas famílias — especialmente quando falamos de adolescentes e adultos com intensa desregulação emocional, autolesões ou pensamentos suicidas. Falar sobre suicídio exige sensibilidade, mas também clareza:...

A potência do mindfulness nas relações interpessoais

Não tem como eu fugir de escrever sobre o último final de semana. A querida Manuella O’Connel esteve conosco no CEFI conduzindo o Workshop de Mindfulness nas Relações Interpessoais. Foram um sábado inteiro e uma manhã de domingo intensos em práticas. Tenho certeza de que saí diferente de como entrei. Mindfulness, ao contrário do que muitos imaginam, não é “esvaziar a mente”, mas escolher, com intenção, algo do mundo interno ou externo para direcionar a atenção. Isso significa estar presente...

Reflexões sobre viver o agora

Estava preparando meu café da manhã, moendo alguns grãos com o moedor elétrico — um presente querido que ganhei das minhas irmãs — enquanto a água esquentava na chaleira. Escolhi uma das minhas xícaras favoritas, presente de amigas muito especiais, e deixei o café filtrar direto para a garrafinha térmica que comprei nos tempos em que fazia duas graduações e passava o dia fora de casa. Naquela época, costumava carregar chá quente para enfrentar os dias gelados de Porto Alegre...

Não é sobre o resultado

Enquanto pensava sobre o que escrever para este weblog hoje, fiz, por brincadeira, um pedido à uma “inteligência artificial” – que me escrevesse um soneto em rima rica baseado na terapia de aceitação e compromisso. Aqui vai:   Ó coração que busca a paz serena, Na dor que insiste, na alma que padece, Não fujas mais da mágoa que te enobrece, Aceita o espinho que a vida te acena.   Deixa o controle, a luta que envenena, E o pensamento...

Quando você vai perceber que Viena te espera?

Em uma manhã de domingo, enquanto eu bebia meu café, uma playlist tranquila tocava. Uma música com melodia calma e agradável ganhou minha atenção. Ela dizia: “Vá devagar, sua criança louca. Você é tão ambicioso para um jovem. Mas se você é tão esperto. Me diga por que ainda tem tanto medo?” (“Slow down, you crazy child. You’re so ambitious for a juvenile. But then if you’re so smart. Tell me why are you still so afraid?”). Era uma música...