Experienciando e aprendendo

“Eu não quero me sentir triste” ou “é melhor nem pensar nisso…” são pensamentos que normalmente escutamos as pessoas compartilharem no cotidiano para evitar que algo ruim aconteça. O paradoxo do ser humano é que ao tentarmos não sofrer, acabamos por sofrer mais.

Um dos trabalhos em terapia é ajudar o cliente a notar como este paradoxo está funcionando. É preciso estar atento, pois cada paciente pode apresentar uma for diferente de se livrar do sofrimento.  Uns bebem. Uns mexem no celular. Uns postam nas redes sociais. Uns conversam com amigos. Uns leem livros e, assim, nos deparamos ao entrarmos numa livraria com prateleiras cheias de “ensinamentos” de como nos “livrar” do sofrimento e derivados. Ou seja, nossa mente entra num modo de resolução de problemas dedicado a resolver nossos eventos internos (ex., pensamento, emoção, sensação corporal, memorias…). Se estou triste, logo preciso ficar feliz para poder viver. Se estou ansioso, logo preciso ficar tranquilo para poder conversar com outra pessoa. E isso é tão automático que nem percebemos que está acontecendo.

Para poder entender um pouco do que estou falando, note o que sua mente faz quando lê a seguinte sentença “2+2=“. Notou algo? Não precisei dizer que você deveria resolver a equação, sua mente deve ter respondido 4 tão automaticamente quanto os alunos respondem ao sinal de recreio quando ele toca.

Com a mesma automaticidade, buscamos não entrar em contato com o sofrimento que a vida nos gera. A evitação experiencial (EE), proposta pela Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), é definido como um fenômeno que ocorre em pessoas que não estão dispostas a permanecer em contato com a experiência de um evento interno e buscam alterar a forma ou a freqüência desta experiência e o contexto que a ocasiona, mesmo quando isso cria mais dor.

Experienciar eventos internos não é fácil, tanto para o paciente como para o terapeuta. A ACT desenvolveu diferentes estratégias terapêuticas para ensinar como lidar com as questões intrapessoais. Um dos primeiros passos é notar e discriminar as ações dos processos internos, como pensamentos e emoções, estando aberto curioso para que todos estes sejam reconhecidos como parte da experiência humana. A final de contas, experienciar o que ocorre da pele para dentro também é uma forma de aprendizagem para levarmos uma vida que vale a pena ser vivida. 

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Sobre o Autor
Equipe Contextus
A equipe CEFI Contextus é formada por profissionais de Psicologia e Psiquiatria que iniciou treinamento amplo e aprofundado em Terapias Comportamentais Contextuais desde o ano de 2013. Desenvolve tratamentos psicoterápicos utilizando abordagens como FAP, ACT, DBT e IBCT. Sua atuação se volta a auxiliar as pessoas a estarem presentes em suas próprias vidas, a aceitarem que o sofrimento faz parte... ver mais

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