3 passos para se manter mais focado

Nosso estado natural de fácil distração é um prato cheio para iniciarmos uma atividade e, no meio do caminho, nos deixarmos ser desviados por algum barulho inesperado, por uma lembrança de outra coisa a ser feita ou atraídos pela geladeira. Se estivermos em estado ansioso ou de estresse então a geladeira torna-se bastante procurada especialmente quando se está em casa de quarentena.

Há momentos nos quais a distração ocorre simplesmente por não termos clareza do que estamos buscando, em outros a distração é um meio para aliviar algum desconforto que surge quando as coisas não andam como esperávamos.   

A dificuldade de concentração ocorre por diversos motivos e não tenho a intenção de explicá-los aqui. Entretanto, desejo deixar você, que está lendo este texto, tranquilo em saber que – não conseguir se concentrar não é sinônimo de psicopatologia – e que há estratégias que podem te auxiliar a lidar com as distrações comuns do dia a dia.

É claro, é preciso ter uma visão do contexto em que a dificuldade de foco e concentração ocorrem para fazermos uma avaliação adequada, medindo os prejuízos e o grau de sofrimento que está envolvido com este problema. Caso você esteja com muitas dificuldades, é recomendado buscar ajuda profissional psicológica ou psiquiátrica. E de qualquer modo, estas três perguntas que apresentarei no texto podem ser algum dia úteis, pois elas são aplicáveis a qualquer situação na qual desejamos estar mais presentes e atentos ao nosso próprio comportamento.

A primeira pergunta tem objetivo de clarificar o que é necessário para o momento, trazer a clareza necessária. É uma forma de definirmos um foco para onde apontar, como escrever no GPS o destino para onde se deseja trafegar. (1) O que é importante para mim neste momento? Pare um instante e conecte-se com o seu objetivo. Tente identificar qual o valor presente naquilo que você está fazendo ou deseja fazer. (2) Quais desafios eu encontro ao me aproximar disso que é importante? Note na sua própria experiência (no seu corpo e na sua mente) quais sensações e pensamentos podem ser obstáculos para que você siga no rumo que deseja. Esta segunda pergunta lhe ajuda a antecipar o “gatilho para a fuga”. E trazendo segurança e coragem, pergunte-se (3) o que está ao meu alcance, ou melhor, o que eu posso fazer para lidar com estes obstáculos sem abandonar aquilo que é importante? Imagine o que você pode fazer para estar próximo do que importa. Manter-se conectado com o seu objetivo é o que traz a sensação de coerência e persistência. O exercício é de saber retornar ao foco e não de se manter isento de desafios.

Normalmente desejamos não sentir desconfortos emocionais e tampouco ter pensamentos que nos desencorajam de fazer aquilo que precisamos e queremos para estarmos conectados com o que é importante. Mas lembre-se, muito falamos por aqui, emoções e pensamentos são experiências que ocorrem o tempo todo em nós, e não temos a opção de desativá-las ou deixar de passar por elas. Será que para seguir adiante você se vê disposto a aceitar ou tolerar as pedras do caminho?

 

 

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Sobre o Autor
Maria Eduarda D. de Alencastro
Maria Eduarda D. de Alencastro
CRP 07/21833 Psicóloga graduada pela PUC-RS, especialista em Terapia Sistêmica e em Terapias Comportamentais Contextuais pelo CEFI, tendo realizado formação complementar em Terapia Comportamental Dialética (DBT). Participou de treinamento intensivo em Terapias Contextuais realizado no CIPCO em Córdoba, Argentina. É membro da equipe de DBT do CEFI Contextus e coordena grupo de Treinamento de ... ver mais

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