Vamos tentar manter a rotina… MAS CALMA!

Hoje eu quis falar sobre um tema bastante discutido nesse momento, não é diretamente sobre o CODIV-19, mas sobre algumas consequências que podemos sentir pelas medidas de isolamento nesse momento. Desde março deste ano, o Ministério da Saúde adotou medidas de isolamento para realizar a contenção do COVID-19. A partir daí, nosso dia a dia mudou drasticamente. Alguns seguiram trabalhando externamente por opção, outros passaram para modalidade home office, outros não tiveram a possibilidade de realizar seu trabalho de forma remota e seguiram trabalhando presencialmente ou tiveram que parar de trabalhar nesse período. Qualquer uma dessas modalidades sofreu adaptações, pois quem sai, tem que adotar medidas de segurança como uso de máscaras, trocar a roupa ao chegar em casa, etc. Quem fica, precisa adaptar seu trabalho para modalidade online ou tem que ficar sem trabalhar. Muitas pessoas estão preocupadas com o prejuízo financeiro que esse período está causando, desde um nível micro (com a sua organização financeira familiar) até um nível macro (nosso país e o mundo). A maioria está sem ver seus familiares e pessoas amadas.

Querer manter as coisas exatamente como elas eram antes pode ser um objetivo muito desafiador e talvez até inalcançável. Tentar fazer isso não se ajusta aos fatos porque os fatos são: estamos vivendo uma pandemia mundial! É claro que tentar manter uma rotina é importante para nos ajudar a nos organizarmos e para cuidar do nosso estado de humor, ações como não passar o dia deitado na cama (pois isso pode alterar nosso sono), tirar o pijama e vestir uma roupa para passar o dia, se alimentar bem, etc. Mas cada um precisa encontrar o seu equilíbrio entre manter suas atividades de rotina e ser autocompassivo consigo mesmo em relação às coisas que está com mais dificuldade de fazer nesse momento. 

Vou compartilhar um pouco da minha vivência atualmente, eu gosto bastante de fazer exercícios físicos por sentir o meu corpo mais forte e definido, sentir mais disposição e bem-estar. Atualmente, eu tenho sentido muita falta de disposição para fazer atividade física e tem sido bem desafiador conseguir combater isso. O resultado é que eu acabava me sentindo frustrada e culpada por não estar fazendo algo que eu sei que é bom para mim. Então eu decidi parar de lutar contra a realidade e aceitar que nesse momento essa atividade está sendo mais difícil de realizar e que está tudo bem eu não estar conseguindo manter a rotina de exercícios que normalmente eu tenho. Ao mesmo tempo, eu reconheço que a atividade física tem um papel importante no meu bem-estar e na regulação do meu humor. Pensando nisso e clarificando que o bem-estar e a regulação do meu humor são importantes para mim, pude adaptar a atividade para ter essa sensação. Então, em vez de fazer uma hora de exercício, que eu não me senti nem um pouco disposta a fazer, eu pulei corda por cinco minutos. Isso já me deu a sensação de bem-estar que eu queria e melhorou meu humor. Quer dizer que eu vou ficar bem se eu seguir só pulando corda de vez em quando por cinco minutos? Não, não quer dizer, ou sim, quer dizer. A questão aqui é poder ouvir as suas necessidades nesse momento, que podem não ser as mesmas de antes da pandemia.

Estamos vivendo um período sem precedentes desde a segunda guerra mundial. É COMPLETAMENTE normal sentirmos mudanças durante esse período, mudanças na disposição, concentração, motivação, entre outras. É compreensível sentirmos dificuldade para trabalhar, estudar, fazer exercício ou outras atividades. Portanto, podemos nos acolher e respeitar esse momento para nos cuidarmos conforme o que precisamos. Nesse texto eu compartilhei um pouco da minha vivência e o que tem sido útil para mim nesse momento, mas os seres humanos são diferentes e têm estratégias diferentes para lidar com as situações. De repente essa estratégia pode não fazer sentido para você e está tudo bem. Você pode ouvir as suas necessidades e tentar identificar o que você precisa nesse momento. Por isso, eu termino o texto com esse convite: pare e olhe para si hoje, do que você precisa?

 

Se você está sentindo que esses sintomas estão em um nível muito intenso ou prejudicando de forma significativa suas atividades diárias, você pode pedir ajuda. O CEFI possui uma rede de psicólogos capacitados que seguem realizando seus atendimentos online, além disso, atualmente a clínica oferece uma possibilidade de realizar acolhimento sem custo para as pessoas que estão se sentido impactadas por esse momento e querem ajuda. Se quiser nos contatar, estamos à disposição.

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Sobre o Autor
Mariana Sanseverino Dillenburg
Mariana Sanseverino Dillenburg
Mariana Sanseverino Dillenburg - CRP 07/27708 Psicóloga graduada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Mestranda no Grupo de Pesquisa Avaliação e Atendimento em Psicoterapia Cognitiva Comportamental (GAAPCC) coordenado pela professora Margareth da Silva Oliveira na PUCRS. Especialização em andamento em Terapias Comportamentais Contextuais pelo CEFI/CIPCO. P... ver mais

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