O que fazer quando a vontade de “não fazer nada” domina você? 

 

Vocês já experimentaram a vontade de “não fazer nada”, mesmo tendo uma grande lista de tarefas para fazer? Quem nunca né? Pensando nesta situação que muitas pessoas experimentam, vou descrever como a Terapia Comportamental Dialética (DBT), pode nos ajudar. 

A DBT apresenta a definição de dois tipos de mente que podemos ligar com essa situação: a Mente do Ser e a Mente do Fazer. A Mente do Ser é voltada para o momento presente, aproveitando o que está acontecendo no momento, de maneira aberta e curiosa, aceitando o momento como ele é. Em excesso esta mente pode ser egocêntrica, ou seja, pode nos deixar tão concentrados na experiência do momento presente que não leva em consideração aquilo que necessariamente precisa ser feito. Por exemplo, posso usufruir de acordar e fazer o café da manhã desfrutando aquele momento, preparando as frutas, o pão, o suco e o café, sem planejar o tempo que irei destinar para a preparação e para comer, sendo que tenho horário para chegar em uma reunião importante. A mente do fazer, nestes momentos está meio adormecida. 

A DBT descreve a Mente do Fazer como focada em resultados, alcançar metas e fazer o que é necessário. O excesso da mente do fazer pode ser observado em pessoas workaholics (viciadas no trabalho) ou em pessoas perfeccionistas. É quando sentimos impulso de sempre estar em ação, mesmo que aquilo não traga mais prazer ou tenha uma real necessidade. Por exemplo, concluí o trabalho que foi solicitado e decido começar outro “para adiantar o serviço do próximo dia” e assim sigo, dia após dia, neste mesmo ritmo, sem respeitar por vezes, os limites do cansaço do corpo. 

Não sei vocês, mas quando eu estou na mente do ser, é difícil me mover para a mente do fazer. Só quero ficar desfrutando do momento, sem ter que me envolver com tarefas, especialmente se as considero chatas, difíceis ou que não as domino. 

Mas então como se faz para encontrar um equilíbrio? 

Primeiramente, é necessário notar que estamos na mente do ser.

Depois de identificar isto, podemos nos perguntar: o que tem de importante em estar na mente do ser neste momento? Ela me aproxima de algo importante para mim? Se a resposta for SIM, podemos simplesmente ficar neste estado da mente. 

Se a resposta for NÃO, podemos nos perguntar: ficar agora neste estado da mente me traz consequências negativas no longo prazo? 

Se a resposta for NÃO, fique neste estado da mente e desfrute! Se a resposta for SIM, é importante utilizar alguma habilidade para gerar movimento. 

Existem muitas habilidades que podem ser utilizadas neste cenário. Segue abaixo duas habilidades brevemente descritas que podem ser colocadas em prática em uma situação assim.

Uma delas é a habilidade de prós e contra. Para isto você deve seguir este passo a passo:

  1. Descreva a situação problema que está tentando abandonar.
  2. Faça uma lista dos prós e contras de agir de acordo com o impulso da mente do ser. 
  3. Faça uma outra lista com os prós e contras de resistir ao impulso da mente do ser.
  4. Identifique quais prós e contras são de curto prazo (apenas para este momento) ou de longo prazo (vão para além deste momento).
  5. Pergunte para sua sabedoria interior o que é mais relevante para este momento.
  6. Faça uma escolha consciente!

A outra habilidade é estar disposto. Para tanto, é preciso:

  1. Observar que a indisposição está presente.
  2. Lembre-se, você não pode combater a indisposição com falta de disposição!
  3. Redirecione sua mente para a disposição (quantas vezes sejam necessárias).
  4. Ajustar o corpo ajuda (sorrir sutilmente com o canto dos lábios, colocar-se em uma postura receptiva, com as palmas das mãos voltadas para cima, por exemplo).

Uma dica final, para quando se vemos presos na mente do ser:

Lembre-se de fazer o que é necessário (não faça nem mais nem menos, faça apenas o necessário). Faça o que a tarefa lhe exige, tenha em mente a busca do equilíbrio da mente do ser e do fazer, concentre-se e mergulhe na tarefa para depois usufruir do descanso.

Você pode encontrar mais sobre as habilidades da DBT nas referências abaixo:

Linehan, M. M. (2018). Habilidades de Regulação Emocional. Em Treinamento de habilidades em DBT: manual de terapia comportamental dialética para o terapeuta. Artmed. 2 edição.

Linehan, M. M. (2018). Habilidades de Regulação Emocional. Em Treinamento de habilidades em DBT: manual de terapia comportamental dialética para o paciente. Artmed. 2 edição.

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Sobre o Autor
Rafaela Teló Klaus
Rafaela Teló Klaus
CRP 07/13.491 Psicóloga pela PUC-RS. Mestranda em psicologia na UFCSPA. Especialização em Terapias Comportamentais Contextuais CEFI/CIPCO. Formação em Terapia Comportamental Dialética (DBT). Treinamento em Terapia Comportamental Integrativa de Casal (IBCT). Especialista em Terapia de Casal e Família pelo CEFI. MBA em Gestão Empresarial pela FGV. Psicoterapeuta individual, casal e família. Co... ver mais

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