O FENÔMENO PHUBBING (ficar olhando para o celular) QUE ARRUINA RELACIONAMENTOS E COMO A VALIDAÇÃO PODE AJUDAR!

Você sabe o que é Phubbing? É uma prática que todos nós já praticamos e da qual também temos sido vítimas. Atualmente é um fenômeno que destrói casais e relacionamentos em geral, e que tem nome próprio. Você pode não estar familiarizado com o termo “phubbing”, mas certamente faz parte da sua vida diária. Você está conversando com alguém e de repente, no meio da conversa, a pessoa se volta para seu telefone…

O nome Phubbing vem da combinação de telefone e desprezo, e consiste no ato de ignorar e menosprezar quem nos acompanha prestando mais atenção ao celular do que à pessoa. Esta situação, com certeza, parece familiar. Você está, por exemplo, em uma reunião de amigos e volta-se para um deles para perguntar “o que você acha?” E essa pessoa responde “sim, sim”, enquanto olha para o telefone. Talvez ela então olhe para cima e diga: “O que você estava dizendo?”

O aparecimento do smartphone trouxe-nos a possibilidade de ter o mundo à mão. O problema é que também requer toda a nossa atenção. No longo prazo, isso pode enfraquecer os relacionamentos e pode até levar à grosseria. Sendo assim, “Phubbing” refere-se a rejeitar ou ignorar alguém com quem você está conversando para olhar para o seu telefone celular. A mensagem transmitida ao fazer isso é que qualquer outra coisa é priorizada em relação aos momentos quando se está ​​com alguém.

O mal-estar causado diante do Phubbing pode ser explicado pelo conceito de Validação da Terapia Comportamental dialética. Linehan (1993) refere que validação é encontrar o fundo de verdade na perspectiva ou situação da outra pessoa; é reconhecer que as emoções, pensamentos ou comportamentos tem sua razão de ser; é demostrar que você se importa e entende as circunstâncias ou relevância da outra pessoa. E isto é tudo o que o Phubbing não oferece: a atenção a outra pessoa.

Fruzetti (2006) aponta que “Validação” é uma palavra muito utilizada por terapeutas de casais e pesquisadores de várias maneiras. Provavelmente porque é um dos componentes básicos de uma comunicação eficaz. Os relacionamentos difíceis são cheios de invalidação. O autor traz que, às vezes, pode ser apenas prestar atenção e estabelecer um bom contato visual. Outras vezes, a validação requer um reconhecimento mais direto da experiência, como “Eu sei que você está totalmente decepcionado” ou “Você parece muito triste”. Assim, validar comunica uma compreensão da experiência de seu parceiro (emoções, desejos, objetivos, opiniões) e uma aceitação de sua legitimidade. Isso inclui aceitar os “fatos” sobre suas experiências, o que significa aceitar que suas descrições são precisas. Responder validando a expressão de emoções, desejos, opiniões e ações hábeis tem muitas consequências importantes. A validação é um componente central da comunicação eficaz, acalmando emoções desgastadas, retardando a reatividade negativa, incluindo raiva e julgamento, facilitando a negociação, construindo confiança e proximidade e muitas vezes reforçando o autorrespeito.

A Terapia Comportamental Dialética (Linehan,1993), ao trabalhar habilidades de efetividade interpessoal, aponta a validação como importante recurso. Aponta seis níveis de validação, sendo que o primeiro nível é: “PRESTAR ATENÇÃO: Demonstrar interesse na outra pessoa. Olhar e escutar.  Não fazer outras coisas ao mesmo tempo. Fazer contato visual. Manter-se concentrado ainda que não goste do que está escutando.”

A pergunta é, se você deseja ser efetivo numa conversa, como conseguirá se está fazendo (ou recebendo) Phubbing? Como realizará os passos acima sem fazer, no mínimo, o primeiro nível de validação: prestar atenção?

Ao mostrar que você está prestando atenção na escuta ativa, quando você está totalmente consciente de seu parceiro(a), você se abre para o que o outro(a) está experimentando, sem defensividade e com mais capacidade de apenas estar ciente. Quando você está comunicando que está prestando atenção, ouvindo ativa e abertamente, está validando de uma maneira muito importante. Esse tipo de validação mostra que seu parceiro(a) é importante para você e que você está aberto ao entendimento.

Phubbing não é novo, existia também com telefones com fio, mas agora podemos falar de uma epidemia real. Uma epidemia que, ao que parece, arruína relacionamentos. Um estudo da Baylor University (EUA) realizado por J.Roberts e M. David em que mais de 400 pessoas foram entrevistadas sugere que o phubbing gera conflitos, afeta os relacionamentos e, em última análise, o nosso bem-estar pessoal. 46,3% dos pesquisados ​​admitiram ter sofrido phubbing do parceiro e 22,6% deles reconheceram que isso “causou problemas” no relacionamento. 33,6% declararam ter-se sentido deprimidos pelo menos em alguma das ocasiões em que foram desprezados. Sentir-se ignorado em favor de um celular não é algo bom. Phubbing pode ferir os sentimentos da outra pessoa e afetar sua autoestima. E, se o seu relacionamento está vacilante, o phubbing pode acabar com ele.

No entanto, o phubbing não afeta apenas os relacionamentos pessoais. “Phubear” não está correto: não em um encontro, não em uma reunião, não em uma reunião de trabalho, não à mesa com sua família. Inclusive já há um site Stop Phubbing, o qual revela quais cidades do mundo estão com mais Phubbing. É possível escapar? Não vamos ser particularmente otimistas. Para falar a verdade, estamos todos muito presos aos nossos celulares e é difícil escapar completamente do phubbing e de outros problemas relacionados.

Pequenas dicas:

  1. Desligar o celular 1h antes de dormir, talvez voltar ao despertador analógico pode ser uma mudança abismal em sua qualidade de vida, sono e relacionamento. Imagine ir para a cama com seu parceiro(a) sem ter a vibração do celular incomodando vocês o tempo todo.  Além disso, o brilho do celular pode afetar seu sono. E pra falar a verdade, quantas vezes aquela mensagem que você recebeu de   madrugada foi realmente uma emergência?  Se for demais para você desligar o celular, pelo menos deixe em outro    quarto, disponível apenas para receber ligações. É uma pequena           mudança que pode melhorar muito a sua vida.
  2. Proibir o celular na mesa, seja numa saída num lugar ou em casa, ao se alimentar é importante nos desconectar da Internet. Você já não toca no seu celular no cinema, pode também fazer isso num no jantar.
  3. Se possível, depois de um determinado período da noite, não verifique mais o WhatsApp. Esse tipo de condição pode melhorar a qualidade de sua vida, ao mesmo tempo que o mantém longe do celular.
  4. Remova notificações: Silencie todos os grupos e remova a opção de receber notificações de todos os aplicativos. Dessa forma, seu telefone tocará apenas para coisas importantes. E organize momentos e horários do seu dia para ver o que há. Quando você tiver um tempo livre e quiser ver as redes sociais. Deste modo, você decide quando olhar para o telefone, e você não será condicionado por avisos.

Retomando o conceito de Validação, Fruzzetti (2006) lembra que a maneira mais simples de mostrar uma escuta ativa e acrítica é interromper todas as atividades (parar de ler, desligar a televisão ou celular); relaxar os músculos corporais e faciais; fazer contato visual, o que indica que você está disposto a ouvir com total atenção; responder naturalmente com detalhes que mostrem que você está seguindo o que está sendo dito (acenando com a cabeça, dando dicas comuns de conversação que mostram seguir com compreensão).

Às vezes, esse primeiro tipo de validação é suficiente: você mostra seu interesse e abertura, e seu parceiro(a) se sente ouvido e compreendido; é tudo o que precisa. Embora sejam necessárias mais palavras para responder, esse primeiro nível é praticamente um componente essencial da validação.

Por fim, quando forem conversar sobre algo muito importante deixem o celular desligado. Conversar olhando no olho tem maior chance de dar certo… Pensando bem, brincar, fazer carinho, namorar, seja o que for, na relação de casal sempre há a oportunidade de doar o que há de mais precioso: sua total atenção, sua verdadeira conexão.

 

Referências

Linehan, M. M. (1993). Cognitive Behavioral Treatment of Borderline Personality Disorder. New York: Guilford.

Fruzzetti, A. (2006). La Pareja altamente Conflictiva: Guía de terapia dialéctico-conductual para encontrar paz, intimidad y reconocimiento. Oakland: New Harbinger

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Sobre o Autor
Mara Lins
CRP 07/05966 Psicóloga. Doutora em Psicologia Clínica (UNISINOS). Mestre em Psicologia Social (PUCRS). Especialista em Terapia de Casal e Família (CEFI). Treinamento em Terapias Comportamentais Contextuais. Treinamento em Terapia Comportamental Integrativa de Casal (Integrative Behavioral Couple Therapy-IBCT) com Andrew Christensen e sua equipe. Professora e Supervisora de cursos de pós-grad... ver mais

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