Intimidade e as relações que fazem bem

Somos seres sociais, que necessitam estar em relações para sobreviver desde o primeiro minuto de vida até o final de nossas existências. Há evidências de que as pessoas que têm relacionamentos significativos e mais satisfatórios são aquelas que envelhecem com mais saúde e têm maior longevidade. Isso é algo que as pesquisas dizem, mas é também algo que a maioria de nós já sabe ou intui. Mas o que significa, afinal, ter um bom relacionamento? Certamente não estamos falando de ter muitas curtidas em redes sociais. A chave aqui é a intimidade. Relações de intimidade são aquelas que nos nutrem emocionalmente e melhoram nossa qualidade de vida. As relações íntimas são as que realmente fazem diferença em nossa vida, são aquelas em que podemos rir e chorar, e mais que tudo, que podemos ser nós mesmos, apoiar e ser apoiados.

Numa definição mais específica, podemos dizer que uma relação de intimidade é aquela em que podemos expor aquilo que temos de mais privado, sem temer um julgamento ou rejeição por parte do outro. São relacionamentos em que nos sentimos protegidos e seguros, mesmo quando há discordância ou conflito[1]. Pelos mais variados motivos, nem todos temos o privilégio de vivenciar relações com essas características em nossas vidas. A boa notícia, porém, é que todos temos o potencial para cultivá-las, pois se relacionar é também um comportamento que, como qualquer outro, pode ser aprendido.

Aprender intimidade envolve primeiro saber de que ela se constitui. Construir uma relação íntima exige que desenvolvamos uma capacidade de estarmos conscientes do que a outra pessoa comunica, de nossas próprias necessidades e dos efeitos da ação do outro sobre nós e vice versa. Outro elemento fundamental da intimidade é a capacidade de dar amor, na forma de gestos, palavras e olhares que comunicam a aceitação e compreensão do outro em suas dores, suas necessidades e suas alegrias, também a capacidade de receber amor, de pedir pela compreensão e acolhimento do outro quando necessitamos. Complementando esses elementos, a intimidade exige que saibamos como prover a segurança para que o outro se arrisque e a coragem de nós mesmos corrermos os riscos envolvidos na exposição daquilo que temos de mais vulnerável.

Partindo dessa compreensão do que é se relacionar de maneira íntima, e considerando a importância disso em nossa vida, a Psicoterapia Analítica Funcional é uma forma de terapia que busca promover o aprendizado desses elementos da intimidade numa relação terapêutica. Por meio da FAP, experimentando e aprendendo a nos relacionarmos intimamente em um contexto protegido como é a terapia, torna-se possível levar essa habilidade para a vida, construindo relações mais significativas e gratificantes que fazem a vida valer a pena – e talvez até viver mais!

 

[1] Tecnicamente, diríamos que são contextos nos quais comportamentos vulneráveis à punição interpessoal deixam de ser punidos e são reforçados positivamente.

 

Compartilhe

Sobre o Autor
Lucas A Schuster de Souza

1 comentário em “Intimidade e as relações que fazem bem”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.