Fazer por fazer

O que você está fazendo agora? O que lhe levou a fazer o que está fazendo? Eu neste momento estou redigindo este texto que você está lendo. Na verdade, neste instante em que você o lê, não posso lhe afirmar o que estou fazendo, só sei dizer que não estou mais aqui escrevendo…

Já pensou como seria se pudéssemos congelar o tempo em momentos agradáveis, ou voltar e passá-lo para frente para viver algo que gostaríamos ou pular certas dores da vida, como num filme de ficção científica? Por vezes, penso que acabamos fazendo isso – o tempo passa e nele nos perdemos ou nos prendemos. Isso ocorre num piscar de olhos, quando nos damos por conta, já não estamos mais onde gostaríamos de estar ou estamos ainda parados no mesmo lugar.

 

Posso brincar aqui com as palavras sobre o tempo e fazer delas uma poesia, ou uma grande confusão.

Assim como nos apegamos aos momentos, às pessoas, a objetos que significam algo para nós – embarcando num tempo que aqui não está – podemos nos grudar em palavras, que nos acompanham a todo momento, prendendo-nos em nossa própria mente. Assim, conseguimos viajar para qualquer lugar e revisitar qualquer história, até mesmo aquelas que nunca vivemos. Isso é fantástico, adoro sonhar e imaginar realidades diferentes da minha. E é também assustador, especialmente quando essa viagem no tempo nos tira de onde gostaríamos ou deveríamos estar. Mas como saber que lugar é este? Visto que o tempo não é palpável e que num segundo posso me encontrar em qualquer canto? Onde eu gostaria de estar?

Posso falar por mim, hoje digo que gostaria de estar mais presente em minha vida, tendo a oportunidade de escolher o que fazer comigo mesma e realizar o que faz sentido para mim. Mas vou lhes contar um segredo: há poucos minutos eu não estava neste lugar, eu estava sentada, frente ao meu computador, pensando “tenho que escrever um texto” (sim este texto aqui) enquanto uma vontade louca de sair correndo e ir curtir a vista do entardecer tomava conta de mim. E foi assim, perceber o desconforto em minhas pernas inquietas balançando na cadeira que me levou para um lugar mágico, o agora! Onde antes eu também estava, apenas de corpo presente, presa na ideia de estar fazendo algo apenas por fazer. E me parece tão chato isso, fazer por fazer. Mas aprendi a perceber minhas sensações e escutá-las. Eu descobri que naquele instante estava apenas ansiosa. Foi aí então que resolvi escolher, “o que agora é importante para mim?” E escolhi dividir isso com vocês.

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Sobre o Autor
Maria Eduarda D. de Alencastro

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