EXPOSIÇÃO E AUTOCOMPAIXÃO…COLÓQUIO DE UM MUNDO INTERNO.

Segue aqui o meu primeiro texto para o blog do CEFI CONTEXTUS e decidi conversar com meu mundo interno, minha mente, aqui com vocês, ao vivo e a cores. Ao pensar em fazer essa escrita me notei com muitas emoções, algumas de alegria, excitação e entusiasmo por pertencer a algo que desejava muito e outras de medo e ansiedade, que me geraram algum tipo de  stress e sofrimento. Segundo Steven Hayes (2005), vivenciamos dores pelas várias emoções que sentimos ao longo da vida, como medo, alegria, ansiedade e sofrimento causado pelos autojulgamentos, em formato de pensamentos: “Será que vai estar bom? Será que vai estar à altura dessa equipe que tanto admiro? E se não estiver bom o que farei? Não me acho tão boa quanto eles… Eu não deveria estar com medo e ansiedade.” Enfim, todos os pensamentos que aumentam ainda mais o sofrimento e potencializam as emoções de medo e ansiedade e meus pensamentos autocríticos.

Entre tantos pensamentos tinha um mais persistente em formato de pergunta, e me sentia presa: “porque o olhar do outro é tão importante para mim?” Um livro que me marcou que dizia: “Tenho medo de lhe dizer quem sou porque, se eu lhe disser quem sou, você pode não gostar e isso é tudo o que tenho” ( Powell, 1995, p.11). Esse trecho me calou fundo, tanto que até hoje segue comigo, e reflete um pouco dos medos que nos aprisionam e das dúvidas que nos enfraquecem, impedindo-nos de caminhar em busca do autoconhecimento, da maturidade, da felicidade e do verdadeiro amor. Então, muitas vezes, para nos protegermos de uma vulnerabilidade maior tendemos a formar padrões de funcionamento para evitar entrar em contato com estes sentimentos. Desempenhamos papéis, vestimos máscaras e montamos jogos. Ninguém deseja ser uma fraude, mas os medos que experimentamos e os riscos envolvidos diante de um autojulgamento tão intenso nos levam a buscar refúgio naquilo que julgamos que os outros gostariam de escutar e não no que realmente somos ou do que mostramos ser. 

Nesse exato momento minha mente traz outro julgamento: será que posso escrever aqui conceitos da Dinâmica dos Grupos?  Lugar onde estive e ainda estou há muito tempo e que me constitui como ser humano? Olho para a literatura e encontro na ferramenta de validação o nível de compreender e validar comportamentos com base na história de aprendizagem de cada um e essa é minha história e não falar dela também seria um ato de não autenticidade. Ufaaa… então posso ser eu mesma…mas e  se o que eu for não for o suficiente? Suficiente para quem? Vivi muitos anos perto das organizações, líderes, colaboradores e de seus sofrimentos e exigências pelo resultado, por não errar e muitas vezes os vi esconderem suas falhas , penalizarem-se e até serem demitidos ou pedirem desligamentos pela inabilidade de lidar com as frustrações ou com o erro.

E nesse sentido encontro na terapia da autocompaixão uma forma para lidar com o erro ou com a vulnerabilidade, que segundo Kristin Neff (2017), exige bondade por si, requer reconhecimento da nossa humanidade comum e demanda atenção plena, sem ignorar a dor ou levá-la ao exagero. Esta autora refere que  a autocrítica é apenas uma forma distorcida de autocuidado, pois assim como o ódio não pode vencer o ódio, apenas torná-lo mais forte, o autojulgamento também não consegue frear o autojulgamento. Portanto, a melhor maneira de combater a autocrítica é compreendê-la, com compaixão e substituí-la por uma resposta mais amável. Experimentei e funcionou, com a ajuda da ferramenta de validação e da terapia da autocompaixão, disse a mim mesma:- “ok, é difícil mesmo, é um novo desafio, é compreensível que estejas tão ansiosa e querendo fazer um bom trabalho.” Pensar isso também me aproximou da terapeuta que quero ser, dedicada e comprometida, mas sem sofrimento baseado em meus próprios julgamentos e autocrítica. Meu corpo relaxou, respirei, fiz uma prática de mindfulness, organizei minha agenda para escrever e me abri humildemente para  várias opiniões.

Compartilhar aqui o caminho que trilhei do sofrimento e da autocompaixão, me remete a uma das nossas funções como terapeuta, ser modelo, a partir da autorrevelação. Então fica aqui meu convite de praticarmos mais autocompaixão e distanciamento de nossas guerras internas, tomando perspectiva e nos olhando como se estivéssemos vendo a vista em cima da uma montanha.

E a emoção do momento qual é? Mudou, passou de medo para coragem, coragem de enfrentar meu mundo interno, conversar com vocês sobre ele, tomar distância e estar aqui em exposição. E me notar dessa forma me conectou com meus valores, que são pertencer, estar em grupo e funcionar como equipe. Fazer algo que tenha significado e utilizar todas as oportunidades para seguir minha missão e propósito: – ajudar as pessoas a terem uma vida com direção e sentido, enfim, uma vida valorosa, que valha a pena ser vivida.

REFERÊNCIAS:

Hayes, S.C., Smith S. (2005). Get out of your mind & into your life: The Acceptance & Commitment Therapy. Oakland: New Harbinger Publications.

Neff, K. (2017). Autocompaixão: Pare de se torturar e deixe a insegurança para trás; tradução de Beatriz Marcante Flores. Teresópolis, RJ: Lúcida Letra.

Powell, J. (1995) Porque tenho medo de lhe dizer quem sou? : insights a respeito do autoconhecimento, do crescimento pessoal e da comunicação interpessoal; tradução Clara Feldman de Miranda, 13 edição.  Belo Horizonte: Editora Crescer.

.

Compartilhe

Sobre o Autor
Vanessa Stechow
Vanessa Stechow
Psicóloga (PUCRS). MBA em Gestão de Pessoas com ênfase em Estratégia (FGV/RS), Didata em Dinâmica dos Grupos (SBDG) e qualificação como Analista PDA (Personal Development Analysis). Formação Internacional em Coaching Executivo Organizacional - Metodologia Ontológica Transformacional com Leonardo Wolk, em Líder Coach pelo ICI e The Coaching Clinic – Corporate Coach U. Formação em Coaching de... ver mais

2 comentários em “EXPOSIÇÃO E AUTOCOMPAIXÃO…COLÓQUIO DE UM MUNDO INTERNO.”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *