3 orientações sobre o uso de estabilizadores do humor

Os estabilizadores do humor são um grupo de fármacos que apresenta múltiplas funções e aplicabilidades. Atuam como anticonvulsivantes para pessoas que apresentam enfermidades como epilepsia que cursa com crises convulsivas; alguns podem ter ótimo emprego como antienxaquecosos, agindo na prevenção das crises de enxaqueca e melhorando sua cronicidade e qualidade de vida do indivíduo. 

Estes psicofármacos também têm ampla aplicabilidade no controle de episódios impulsivos, sendo usados em diversas enfermidades que se caracterizam por descontrole em compras e gastos compulsivos, uso de substâncias, condutas que cursam com hiperssexualidade e alta exposição do indivíduo a riscos, além de atuarem de maneira eficaz no controle de sintomas associados a episódios nos quais o humor está deprimido, diminuindo condutas de risco como tentativas de suicídio. 

Abaixo seguem 3 orientações sobre o uso de estabilizadores do humor:

  1. Estabilizadores do humor podem ser usados para quadros depressivos refratários ou depressões de difícil manejo somente com antidepressivos. Além de atuarem de forma significativa no controle de impulsos, este grupo de psicofármacos promove menor frequência de crises e auxilia na diminuição dos episódios mais graves que cursam com pensamentos suicidas e tentativas de suicídio. O Carbonato de Lítio é um exemplo de psicofármaco que atua muito bem na estabilização do indivíduo e na diminuição do risco de suicídio. 
  2. Estabilizadores do humor podem causar aumento de apetite. Alguns estabilizadores do humor são mais propensos a promover aumento de apetite, como o Carbonato de Lítio e o Ácido Valproico, porém, este efeito adverso pode também não se dar com o uso destes fármacos. A Lamotrigina é um estabilizador do humor que comumente não promove aumento de apetite com consequente ganho de peso. O importante é verificar a resposta individual de cada pessoa, pois há casos nos quais não ocorre alteração do apetite e do padrão alimentar. A resposta ao fármaco deve ser minuciosamente assistida pelo médico psiquiatra e o paciente em acompanhamento medicamentoso deve relatar para o profissional que o acompanha todos os efeitos positivos e negativos que possa vir a desenvolver com determinado estabilizador do humor.
  3. É de suma importância que o indivíduo em tratamento psiquiátrico seja também assistido por outros profissionais como endocrinologistas, nutricionistas, ginecologistas, urologistas, afim de acompanhar o paciente em sua completude, podendo o mesmo, caso tenha alteração em exames laboratoriais, receber o tratamento mais adequado e acurado. Alguns estabilizadores do humor podem promover alterações laboratoriais, como modificações no perfil tireoidiano, hepático e renal, desta forma é muito indicado que exames laboratoriais seriados sejam solicitados e realizados para que ao sinal de alguma alteração, o médico psiquiatra possa encaminhar seu paciente para avaliação com endocrinologista, gastroenterologista, nefrologista, entre outras especialidades. A alteração de apetite pode ser acompanhada e estabilizada com o paciente tendo um plano alimentar saudável, fazendo exercícios regularmente, por isso é bastante indicado o acompanhamento deste indivíduo por endocrinologistas e nutricionistas no intuito de minimizar os efeitos adversos que possam vir a ocorrer. 

Em suma, o autocuidado é primordial, estando o paciente comprometido com sua saúde mental e física e tendo o mesmo, uma equipe de profissionais que o assiste regularmente e promove cuidado com responsabilidade. 

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Sobre o Autor
Cláudia da Rosa Muñoz
Cláudia da Rosa Muñoz
CRM 30457 Médica graduada pela UfPel, psiquiatra pela Fundação Universitária Mário Martins, Título de Especialista em Psiquiatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria, Curso de Aperfeiçoamento em Terapia Comportamental Dialética pelo CEFI/CIPCO e de Especialização em Terapias Comportamentais Contextuais na mesma instituição. Participou de treinamento intensivo em Terapias Contextuais real... ver mais

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