3 Mitos sobre o uso de Antipsicóticos

Os antipsicóticos são medicamentos que surgiram na década de 50 (clorpromazina em 1957 e o haloperidol em 1959) e atuam no sistema dopaminérgico. Funcionam como antagonistas do receptor D2, diminuindo a sua ativação pela dopamina. Os efeitos de controle sobre os sintomas da esquizofrenia entre eles, alucinações, delírios, agitação psicomotora surgem quando a maioria dos receptores D2 estão bloqueados pelo antagonista, papel executado pelos antipsicóticos. Hoje em dia, os antipsicóticos mais novos também atuam sobre outros receptores, como o serotoninérgico, histamínico, noradrenérgico, promovendo outros efeitos além da atuação sobre os sintomas psicóticos.

Dividem-se em Antipsicóticos Típicos, que são os que primeiro surgiram, entre eles estão o haloperidol, clorpromazina, levomepromazina e Antipsicóticos Atípicos, grupo no qual encontra-se a risperidona, olanzapina, quetiapina, clozapina, aripiprazol, sulpirida, ziprasidona.

Os antipsicóticos são medicamentos que primeiramente surgiram para o tratamento da esquizofrenia e outros transtornos psicóticos e com o passar dos anos, com a evolução da ciência e da psicofarmacologia, estão cada vez mais sendo indicados para outras enfermidades tais como: transtorno afetivo bipolar, TOC, transtorno de personalidade borderline, transtornos aditivos como jogo patológico, dependência química, além de atuarem em sintomas como a impulsividade, insônia, entre outros.

Seguem abaixo 3 mitos sobre o uso destes psicofármacos:

Mito:

Antipsicóticos são medicamentos usados somente para o tratamento da esquizofrenia.

Verdade:

Os antipsicóticos são medicamentos de largo espectro e usados cada vez mais em outros transtornos mentais além da esquizofrenia. Hoje em dia, antipsicóticos em dose baixa podem ser usados seguramente para insônia possibilitando melhora na qualidade do sono e na qualidade de vida do paciente com este sintoma. Além de promover sonolência, os antipsicóticos não induzem dependência química, característica comum aos fármacos chamados de benzodiazepínicos, tais como Diazepam, Clonazepam, Alprazolam. Desta forma, os antipsicóticos são fármacos mais seguros para o tratamento da insônia enquanto um sintoma singular como também quando a privação de sono está associada a outros sintomas como nos quadros depressivos e ansiosos.

Mito:

Todos os antipsicóticos causam sintomas extrapiramidais.

Verdade:

Os sintomas extrapiramidais caracterizam-se em alterações no controle do tônus muscular e da postura.

Os antipsicóticos atípicos são fármacos capazes de promover a ação antipsicótica em doses que não produzam, de modo significativo, sintomas extrapiramidais. Entre estes, estão a risperidona, clozapina, quetiapina, olanzapina, ziprasidona.

Além disso, estes fármacos têm menos risco de causar hiperprolactinemia (o hormônio prolactina pode aumentar ao uso de alguns medicamentos como antipsicóticos e promover sintomas indesejáveis como galactorreia – saída de leite da mama). Os antipsicóticos com maior atipicidade tem menos risco de causar discinesia tardia, quadro que pode advir da longa data de uso de antipsicóticos, primordialmente típicos, principalmente em transtornos mentais como na esquizofrenia e caracteriza-se por movimentos involuntários e repetitivos no corpo. Atualmente há uma quantidade considerável de antipsicóticos mais seguros, mais específicos em suas ações, mais eficazes, promovendo assim menos efeitos colaterais indesejáveis como aumento de peso e  sedação, possibilitando uma maior adesão do paciente ao esquema medicamentoso, maior resposta ao tratamento e um melhor efeito terapêutico.

Mito:

Antipsicóticos são medicamentos muito caros e somente uma estreita parcela da população tem acesso a eles.

Verdade:

De fato os antipsicóticos atípicos são fármacos mais caros e quanto mais novos, maior a atipicidade, menor potencial de promover efeitos colaterais indesejáveis, possibilitando assim, melhor adesão e tolerabilidade ao tratamento pelo paciente. Além disso, as doses efetivas para o tratamento da esquizofrenia e transtornos de humor são doses mais altas, fator esse que acaba por onerar o tratamento.

Hoje em dia, o SUS libera uma quantidade significativa de antipsicóticos atípicos de ponta como quetiapina, clozapina, olanzapina, ziprasidona para o tratamento da esquizofrenia, transtorno esquizoafetivo e transtorno afetivo bipolar, possibilitando que pessoas com poucas condições financeiras se beneficiem com o uso de psicofármacos mais novos. Antes, estes fármacos eram liberados somente para esquizofrenia e outros transtornos psicóticos. Desde 2015, os transtornos de humor também entraram na lista de enfermidades para as quais o SUS libera o tratamento gratuitamente.

Portanto, é possível um paciente com menor condição sócio-econômica fazer uso de um fármaco de melhor qualidade e ter melhor resposta terapêutica. Para isso, o paciente deve solicitar ao seu médico o preenchimento da solicitação e dar entrada no processo de pedido do fármaco pelo sistema único de saúde. Abaixo seguem os links para solicitação:

https://saude.rs.gov.br/componente-especializado

https://saude.rs.gov.br/relacao-de-medicamentos

https://saude.rs.gov.br/upload/arquivos/201701/18141911-201205151356561-formulario-solicitacao-psicofarmacos.pdf

O uso de antipsicóticos deve ser acompanhado pelo psiquiatra de uma forma regular podendo o profissional fazer ajustes nas medicações conforme os relatos e/ou queixas do paciente, possibilitando assim, uma melhor resposta deste paciente ao tratamento, melhor adesão ao uso do antipsicótico e maior sucesso no tratamento.

 

Sobre o Autor
Cláudia da Rosa Muñoz
Cláudia da Rosa Muñoz
CRM 30457 Médica graduada pela UfPel, psiquiatra pela Fundação Universitária Mário Martins, Título de Especialista em Psiquiatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria, Curso de Aperfeiçoamento em Terapia Comportamental Dialética pelo CEFI/CIPCO e de Especialização em Terapias Contextuais de Terceira Geração na mesma instituição. Participou de treinamento intensivo em Terapias Contextuais ... ver mais

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