3 mitos sobre o uso de antidepressivos


Os sintomas depressivos podem ser incapacitantes para a pessoa que os apresenta, interferindo largamente nas funções de vida e muitas vezes de forma avassaladora e preocupante. Tristeza, negativismo, desmotivação, perda de prazer nas coisas, alterações no padrão do sono e no apetite são alguns sintomas característicos de um quadro depressivo e podem prejudicar muito a qualidade de vida de uma pessoa, podendo alterar as atividades da vida diária, inclusive o rendimento no trabalho.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a depressão, desde episódios leves até episódios graves atinge aproximadamente 121 milhões de pessoas no mundo atualmente. Muitas vezes, além da psicoterapia, se faz necessária a introdução de medicamentos após uma avaliação psiquiátrica. Os antidepressivos são psicofármacos amplamente usados para o tratamento de episódios depressivos; transtornos de ansiedade como transtorno do pânico, transtorno de ansiedade generalizada; transtorno obsessivo compulsivo, além de outras várias indicações de tratamento.
O uso de antidepressivos pode muitas vezes suscitar pensamentos equivocados em relação ao tratamento, por isso é extremamente necessária a avaliação psiquiátrica que permite identificar os sintomas e traçar um plano de tratamento adequado ao paciente. O acompanhamento psiquiátrico regular é imprescindível quando há indicação e prescrição de um psicofármaco.
Abaixo seguem 3 mitos relacionados ao uso de antidepressivos :
Mito: Os antidepressivos causam dependência química.
Verdade: Os antidepressivos não induzem dependência química, não viciam! Os psicofármacos que podem promover dependência química são os que têm tarja preta como os benzodiazepínicos (Clonazepam, Diazepam, entre outros). Muitas vezes ocorre da pessoa por conta própria interromper bruscamente o antidepressivo após 15 a 20 dias de uso, quando já está apresentando melhora. A suspensão brusca do fármaco pode causar um efeito rebote bastante característico e cursar com efeitos indesejáveis tipo: aumento da ansiedade, sudorese, tremores de extremidades, náusea, dor de cabeça, entre outros. Nestas situações, é muito comum ouvir o paciente dizer: “Viu, eu não posso parar de tomar o remédio, que fico mal, já estou dependente”. Não, este é o efeito causado pela retirada brusca do antidepressivo. Todo antidepressivo, quando indicada a retirada, deve ser suspenso gradativamente. O tratamento com antidepressivo deve respeitar o tempo mínimo de 6 meses como uma maneira de prevenir a reinstalação de sintomas.

Mito: Os antidepressivos fazem o mesmo efeito em todas as pessoas.
Verdade: A mesma dose de um antidepressivo pode ter resultados distintos de uma pessoa para outra e um antidepressivo pode funcionar mais em uma pessoa do que em outra. É comum ouvir no atendimento: “Minha mãe usou este antidepressivo e não deu certo para ela”. Isto não quer dizer que não dará certo para esta pessoa e a eficácia depende de vários fatores, tais como: dose, características do antidepressivo de acordo com a sintomatologia do paciente, qualidade do fármaco, características do paciente, ação do antidepressivo em determinados neurotransmissores em nível de sistema nervoso central, etc. A avaliação de um psiquiatra deve ser criteriosa e completa baseada no histórico da pessoa, uso e resposta prévia a antidepressivos, sintomatologia, indicação de determinado antidepressivo, dentre outros vários fatores.

Mito: Não há problema em ingerir álcool e usar antidepressivo concomitantemente.
Verdade: Há problema sim! A maioria dos antidepressivos, assim como os demais psicofármacos ao terem interação com o álcool, podem ter alteração de eficácia. Portanto, evite beber! O álcool por si só é um depressor do sistema nervoso central e pode potencializar alguns efeitos dos antidepressivos causando assim alterações psicomotoras, como diminuição dos reflexos e da atenção, confusão mental e até quedas, principalmente naqueles antidepressivos que também são usados para o tratamento de quadros graves de insônia.

O uso de antidepressivos pode ser breve e melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente quando indicada a prescrição. A regularidade nos atendimentos psiquiátricos facilita que ajustes possam ser feitos mais rapidamente para minimizar efeitos colaterais, potencializar efeitos positivos do fármaco e ajustar a dose da medicação conforme a necessidade e indicação do paciente. Quanto mais correto for o uso do antidepressivo, respeitando horário de tomada, tempo mínimo de uso, qualidade do fármaco, melhor o tratamento irá se estabelecer, melhores serão os resultados e mais rápido a pessoa pode vir a ter suspensão gradativa do fármaco e alta.

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Sobre o Autor
Cláudia da Rosa Muñoz
Cláudia da Rosa Muñoz
CRM 30457 Médica graduada pela UfPel, psiquiatra pela Fundação Universitária Mário Martins, Título de Especialista em Psiquiatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria, Curso de Aperfeiçoamento em Terapia Comportamental Dialética pelo CEFI/CIPCO e de Especialização em Terapias Contextuais de Terceira Geração na mesma instituição. Participou de treinamento intensivo em Terapias Contextuais r... ver mais

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